2018-06-04
“O desafio tecnológico está na interligação dos sub-sistemas”
Filipa Cardoso

Com a chegada da nova directiva para o desempenho energético dos edifícios (EPBD), a mobilidade eléctrica é, agora, um assunto que interessa ao sector. Manuel Dias, Product Marketing Manager e EPCs & Consultants Coordinator da ABB, explica algumas das principais mudanças e exigências que se colocarão às empresas nesta mudança de paradigma.

 

Que características terão de ter os edifícios para integrar os sistemas de mobilidade eléctrica?

Como características base terão de ter uma infra-estrutura própria, quer eléctrica, quer de comunicação. Os sistemas terão de integrar uma gestão de cargas inteligente, de forma a poder gerir adequadamente um potencial coeficiente de simultaneidade elevado no período nocturno.

 

Neste cenário, continuará a fazer sentido um modelo de produção de energia centralizado?

A grande mudança de paradigma, no que diz respeito ao “reabastecimento” dos veículos eléctricos, está no facto de se poder, de certa forma, escolher a origem da fonte de energia e, neste sentido, a produção de energia eléctrica descentralizado e através do sol, com sistemas de autoconsumo fotovoltaico, ganha um grande relevo nos edifícios, preferencialmente sistemas híbridos com baterias para acumulação para uso nos períodos em que não existe sol. Desta forma, é possível alcançar um ganho em toda a linha, ao nível económico, ambiental, e minimizado o impacto na rede eléctrica.

 

A introdução das infra-estruturas de carregamento para mobilidade eléctrica pressupõe que exista também soluções de armazenamento e uma gestão inteligente da energia na relação rede/edifício/veículo. Como isso vai funcionar?

É neste [tema] particular que entram os fabricantes como a ABB, que, mais do que equipamentos isolados, pensam e idealizam soluções que “falam” entre si, tornando, de uma forma ágil e acessível a todos, a automatização e integração dos vários sub-sistemas. A ABB, ao dia de hoje, dispõe já de inversores solares com acumulação de energia (ABB-REACT) que interagem directamente com o sistema de domótica (ABB-free@home) e carregadores de veículos de veículos eléctricos (EVLunic) que fazem gestão inteligente dos carregamentos. Tudo isto gerido digitalmente em cloud com todas as garantias de segurança. Desta forma é possível tirar o máximo partido das energias renováveis, onde e quando são realmente necessárias e de uma forma autónoma.

 

 

Em termos tecnológicos, que desafios se colocam nesta transformação?

O desafio tecnológico está exactamente na interligação dos vários sub-sistemas, de forma que seja acessível a todos, simples de instalar e adaptar e com todas as garantias de futuro e segurança. A ABB antecipou essa transformação e não perdeu tempo no desenvolvimento destas soluções tecnológicas que o mercado já está a procura.

 

Será fácil implementar soluções vehicle to grid/home, tendo em conta o estado do parque edificado europeu?

É naturalmente um desafio complexo, mas que já não é mais uma miragem. A ABB associou-se recentemente a um projecto pioneiro na ilha de Porto Santo, juntamente com o grupo Renault, o governo local, a EEM, a Bouygues Energies et Services e a The Mobility House, designado por “Porto Santo Sustentável - Smart Fossil Free Island”.  O objectivo é a criação da primeira Smart Island mundial a utilizar os veículos eléctricos, a segunda vida das baterias, o carregamento inteligente e a reversão do carregamento (V2G) para ser energeticamente independente e estimular a produção de energias renováveis. 

 

No que consiste?

O carregamento inteligente, ou smartcharging, modula o carregamento do veículo em função das necessidades do utilizador e da oferta de electricidade disponível na rede. O carregamento efectua-se à máxima potência quando a disponibilidade de electricidade é superior às necessidades, por exemplo, nos picos de produção das fontes renováveis. O carregamento é interrompido se a procura de electricidade for superior à oferta disponível na rede. Estes procedimentos permitem assim optimizar o aproveitamento da produção de electricidade oriunda de fontes renováveis locais. Com o carregamento reversível (Vehicle-to-grid), os veículos são capazes de injectar electricidade na rede aquando dos picos de consumo. Para além do carregamento inteligente, os veículos eléctricos podem também funcionar como unidades de armazenamento temporário de energia.

 

Para além deste projector, de que forma a ABB encara e está a preparar esta mudança?

A ABB, mais do que preparar, está a liderar esta mudança fazendo parte de inúmeros projectos piloto com os vários players em todo o mundo. Um exemplo mediático dessa liderança é a actual associação através do naming da prova rainha dos veículos eléctricos, o ABB Formula E Championship.

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