2014-06-16
Alemães querem meta obrigatória para eficiência energética

A Alemanha defende a introdução de uma meta obrigatória para a eficiência energética no Pacote Energia e Clima 2030, numa posição transmitida pela voz do ministro da Economia do país, Sigmar Gabriel, no Conselho de Energia da União Europeia (UE), na última sexta-feira. No outro extremo, Reino Unido e outros países da Europa de Leste consideram que não é o momento apropriado para definir uma meta vinculativa, em parte devido à crise que se vive na Ucrânia.

 

Para o governante alemão, a UE “falhou consideravelmente na importância que deu à eficiência energética”, argumentando que só em 2012 foram gastos mais de um mil milhão de euros por dia em importações de combustíveis fósseis – com destaque para a importação de gás natural liquefeito.

 

No Conselho, Sigmar Gabriel foi peremptório: “se falamos em reduzir a dependência nas importações, não podemos deixar de nos munir com um dos principais instrumentos para isso: as poupanças energéticas”. Para isso, o responsável vê a introdução de um terceira meta como algo lógico. “Não nos devemos centrar só nas metas para as emissões de gases com efeito de estufa e energias renováveis. Devemos também definir uma meta obrigatória para aumentar a eficiência energética”, afirmou.

 

Uma opinião partilhada pelo comissário europeu para a Energia, Günther Oettinger, que já havia dito, em finais de Maio, que “agora mais do que nunca a eficiência energética e a poupança de energia devem ser a resposta à dependência energética”. Com essa finalidade, defendeu a apresentação de proposta para uma nova meta vinculativa para a eficiência energética no Outono, como forma de reduzir o consumo energético em 2030. Não deixando de lembrar o desafio de combater os eurocépticos que, segundo o comissário, podem constituir uma ameaça à eficiência energética uma vez que a oposição deste grupo pode comprometer a introdução de uma meta vinculativa.  

 

“Se queremos manter a nossa qualidade de vida, frigoríficos com o mesmo nível de arrefecimento usando menos electricidade, lâmpadas que só fornecem luz e não aquecem, então temos de conquistar as pessoas e vencer a batalha contra os tablóides e os eurocépticos”, explicou Oettinger no Conselho Europeu de dia 13.

 

Nesta reunião, os ministros da energia dos diferentes Estados-Membros acordaram limitar a 7% a proporção de integração no mix de combustíveis de primeira geração, devido a receios que a sua 'cultivação' conduza ao aumento dos preços de bens alimentares ou mudanças no uso da terra insustentáveis.

 

Recorde-se que o Pacote Energia e Clima 2030, proposto pela Comissão Europeia em Janeiro, sugeria uma meta obrigatória de redução de 40% dos gases com efeito de estufa e a integração 27% de energias renováveis no mix energético. Neste puzzle a peça “eficiência energética”, pelo menos vinculativa, ficou a faltar, estando pendente de uma análise, a publicar neste Verão, dos progressos feitos nesta matéria para alcançar uma meta não obrigatória de 20% em 2020.

 

Apesar disso, fontes oficiais de Bruxelas lembram que a Comissão reserva o direito de vir a introduzir metas obrigatórias no caso da UE, como um todo, se encontrar longe dos objectivos a cumprir em matéria de eficiência energética.

 

Neste âmbito, o ministro da Economia alemão e o ministro do Clima e Energia dinamarquês vão organizar, na próxima quarta-feira (18), em Bruxelas, um workshop para discutir as metas para o Pacote Energia e Clima. Enquanto a 26 de Junho será a vez do Conselho Europeu discutir os objectivos para 2030.

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