2017-12-07
Competir de forma sustentável: mais lucro, mais clientes, melhor ambiente
Fernando Ferreira, Ecobuildings Manager da Schneider Electric

A tecnologia pode (e deve) ser usada para facilitar a reabilitação do edificado das nossas cidades, no sentido de integrar soluções que visem aumentar a sua eficiência energética. Conheça como isto se aplica ao caso do Hotel Evolution, em Lisboa.

 

Hoje, é quase um dado adquirido para a grande maior parte das pessoas que as sociedades modernas têm de fazer mudanças profundas, de forma a tornarem-se ecologicamente sustentáveis. No entanto, a maior parte das pessoas concentra-se nas emissões de CO2 da indústria e do excesso de automóveis, apesar de haver outras áreas de intervenção tão ou mais importantes. Há políticas públicas em vigor em muitos países ocidentais que visam a promoção de carros elétricos, por exemplo. Portugal é um destes casos e houve um investimento grande feito para dotar o país de infraestruturas suficientes para viabilizar a introdução do carro elétrico. Estas politicas espelham onde está a prioridade política e qual a sensibilidade da opinião pública sobre a sustentabilidade dos nossos centros urbanos. Numa era pautada pelo aquecimento global e pelas alterações climáticas, todas estas políticas são importantes e devem ser promovidas e desenvolvidas. No entanto, há outras áreas de intervenção que merecem tanta, ou mais atenção ainda.


Neste contexto, a eficiência energética apresenta-se como um vetor estratégico fulcral para sustentabilidade ambiental, sendo urgente uma mudança de paradigma. Em Portugal, vive-se atualmente um momento de grandes investimentos na reabilitação urbana. Estamos, assim, perante uma oportunidade histórica para avançarmos com políticas de incentivo à introdução de tecnologias e materiais de construção que visem aumentar a eficiência nas habitações particulares, escritórios privados e edifícios públicos, privilegiando-se os projetos destinados ao edificado existente com pior desempenho energético e que, assim, promovam a redução do consumo de energia.


A tecnologia pode (e deve) ser usada para facilitar esta reabilitação do edificado das nossas cidades, no sentido de integrar soluções que visem aumentar a sua eficiência energética. A melhor abordagem reside no estabelecimento de parcerias entre privados e o Estado, sendo que ao último cabe incentivar, bem como integrar esta orientação nos prédios que lhe pertencem (sendo que, em Portugal, o Estado é o maior proprietário). Os privados, por outro lado, deviam aliar-se de forma a gerar projetos que juntem o conhecimento de construtoras, promotoras imobiliárias, grupos de hotelaria e empresas mais orientadas para tecnologias para a gestão de energia. Desta forma, conseguem-se projetos com verdadeiras mais-valias e que sejam capazes de introduzir novos paradigmas na reabilitação urbana e na construção de forma geral.    


O recentemente construído Hotel Evolution é um exemplo deste género de consórcios e o resultado é um hotel mais eficiente em termos energéticos, mais user friendly dado que introduziu uma abordagem tecnológica que coloca o hospede no centro das atenções e, consequentemente, mais económico e competitivo. Para ser possível, o Hotel Evolution resultou de uma parceria entre o Grupo Sana Hotels e a Schneider Electric.


Neste contexto, foi aplicada uma plataforma de gestão técnica de hoteleira, centralizada - a Smartstruxure – que, por sua vez, permite controlar várias componentes do hotel, de forma centralizada e com software que permite uma fácil acessibilidade em termos da simplicidade do programa, bem como uma utilização remota. Deste modo, o gestor poderá ter um controlo tão incisivo como facilitado. Assim, torna-se possível realizar uma gestão integrada de vários sistemas standard, como centrais de ar condicionado, gestão de energia e gestão de alarmes. Todos estes níveis de intervenção permitem uma poupança anual de cerca de 40 %, o que implica uma redução do consumo energético (e correspondente pegada ecológica) equivalente.    

Salienta-se ainda que as possibilidades de controlo oferecidas pela solução de tecnologia integrada Smartstruxure permitem a capacidade de gestão à distância. Ou seja, a partir de qualquer local, é possível aceder ao consumo energético do hotel e controlar a posição dos blackouts, iluminação, temperatura do ar condicionado, entre outras variáveis que afetam a eficiência energética, de acordo com o clima e a ocupação do hotel. Por outro lado, esta solução também permite identificar automaticamente se os quartos necessitam de manutenção ou serviços de limpeza, alertando diretamente os respetivos técnicos. Consegue-se, assim, melhorar os tempos de resposta e o fluxo de trabalho. Esta gestão pode ser feita de forma individual, incidindo a nível de cada quarto. Assim, ao facilitar a gestão, tornando-a mais acessível, consegue-se também uma melhor gestão, pois esta pode passar a ser feita com maior regularidade e com um nível de pormenor mais incisivo. Passa a ser possível, por exemplo, os funcionários do hotel reduzirem automaticamente o consumo de energia em divisões vazias. O desperdício é eliminado, sem acarretar algumas desvantagens de uma abordagem micromanagement.         


Esta tecnologia, materializada através de um controlador – o Hotel Room Controller –, não visa apenas facilitar a gestão do hotel. Trata-se de uma abordagem holística que visa igualmente melhorar a experiência do hóspede. Este passa a ter acesso a uma experiência digital personalizada e intuitiva que permite ajustar a iluminação do ambiente, a temperatura, as cortinas e o sistema de entretenimento, a partir de um único interface que é fácil de usar.     


Estas inovações tecnológicas são cruciais para conseguirmos desenvolver sociedades urbanas sustentáveis. Não é do conhecimento comum que os edifícios utilizam mais recursos energéticos do que os veículos em circulação, que são responsáveis ​​por cerca de 40 % do consumo total de energia e 36 % das emissões de CO2 em toda a Europa. A energia consumida pelos edifícios, em particular para o aquecimento de espaços, é a principal fonte de emissão de gases de estufa. Tendo em conta apenas os sistemas de ar condicionado utlizados nos países da União Europeia, a quantidade de energia desperdiçada através dos telhados e paredes é equivalente ao que poderia satisfazer o compromisso com o Protocolo de Quioto, apenas implementando medidas de melhoria dos padrões de isolamento dos edifícios. Os que argumentam que o protocolo de Quioto prejudica a indústria ficam assim sem base teórica.


Neste contexto, é preciso não esquecer de que as previsões apontam igualmente para um aumento inevitável das necessidades de consumo de energia elétrica por parte das economias emergentes, entre as quais está a segunda maior economia do mundo - a China -, conduzindo a um crescimento da procura mundial na ordem dos 70 %. Sem a aplicação de novas tecnologias, poderemos considerar que o aumento da pegada ecológica será devastador.


Contudo, sabendo que o ser humano tem a tendência para ser individualista, assume igual importância valorizar a mais-valia competitiva que a tecnologia StruxureWare pode garantir. Atualmente, o sector hoteleiro sente pressões concorrenciais sem precedentes. Para além de um número crescente de grupos hoteleiros, há cada vez mais alternativas, como aquelas que são facilitadas pelas plataformas do Sharing Economy [Economia de Partilha]. Ou seja, afigura-se de um importância maior, conseguir destacar a experiência vivida no hotel. Deste modo, conseguir reduzir custos enquanto se melhora o serviço ao cliente é fundamental. E, indo um pouco contra a lógica que reinou até hoje (sem influencia da tecnologia que dispomos), esta abordagem não implica realizar um investimento superior, apenas fazer as escolhas certas e identificar um parceiro tecnológico certo, antes de iniciar a fase do projeto. 


O Hotel Evolution é um exemplo perfeito, pois o investimento total no Sana Evolution, com a tecnologia referida, foi de 40 milhões de Euros, o que é, por sua vez, um valor que se enquadra dentro da média dos hotéis do Grupo Sana Hotels.    


Porém, a pressão que se sente no sector não é apenas concorrencial. Paralelamente, o sector da indústria hoteleira está sob uma enorme pressão para cumprir níveis de sustentabilidade que estão cada vez mais exigentes. Atualmente, vão sendo integradas diretivas que estabelecem requisitos de eficiência energética para edifícios nas regulamentações nacionais e nas normas em matéria de construção. Isto é positivo, pois a sustentabilidade ambiental hoje não ser adiada. Estas regulamentações são fundamentais tendo em conta que existem 2,8 milhões de novos edifícios em Portugal, com um consumo elevado de energia. Neste contexto, realça-se a Diretiva de Eficiência Energética de Edifícios e a norma EN 15232, aplicada nos 27 estados membros europeus e que obriga a implementação de sistemas de automação e controlo dos edifícios, tendo em vista a poupança energética.


Enquanto particulares, empresas, indústrias e entidades governamentais, somos todos partes interessadas e comprometidas em proteger o nosso futuro comum. Sabendo da importância que o consumo de energia responsável tem a nível do possível impacto no aquecimento global, não temos outra alternativa. Até 2050, prevê-se que as soluções de eficiência energética poderão ser responsáveis pela redução de 57% da emissão de gases de efeito estufa. Têm é de ser aplicadas.


Com um investimento razoável, é possível obter um rápido retorno do mesmo, graças à redução do consumo energético. Urge então a necessidade de implementação de sistemas que potenciem uma poupança real no consumo de energia, que pode atingir facilmente os 30 %. Uma gestão, monitorização e controlo do consumo de energia eficientes são essenciais para o alcance desta métrica.

Apesar de existir um esforço generalizado, é necessária uma atenção redobrada ao facto do atual presidente dos EUA considerar que as “alterações climáticas são uma invenção da China para prejudicar as exportações dos EUA”. Ora, tendo em conta o facto de os EUA serem o maior produtor mundial de combustíveis fósseis e o segundo maior emissor de gases, existirão motivos verdadeiramente preocupantes e medidas urgentes a adotar. Cabe à Europa fazer o que tem feito: liderar através da iniciativa. E, se esta cuidado implica um negócio mais rentável, porquê considerar alternativas? É necessário ter em mente as gerações futuras, a qualidade de vida e, por isso, soluções eficientes que realizem uma gestão eficaz da energia. 

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