2019-01-08
Energias renováveis poupam na carteira e ambiente, mas ainda há muito por fazer
David Alvito

2018 trouxe um aumento da energia renovável no total do consumo eléctrico em Portugal. De acordo com as associações APREN e ZERO, no último ano, a incorporação das energias renováveis no consumo eléctrico foi de 55,1 %, o que se traduz num aumento, relativamente a 2017, de 28 %.

 

A energia eólica foi a grande impulsionadora de uma maior integração das energias renováveis no mix eléctrico. De facto, a energia proveniente do vento mais do que duplicou em 2017, tendo agora um peso de 24,3 % no consumo, traduzindo-se em 12,3 TWh (Terawatt-hora).

 

Este aumento na integração das energias renováveis tem claros proveitos não só em termos económicos, mas também para o ambiente. Desde logo, uma diminuição das emissões de gases com efeito de estufa (dióxido de carbono), que, entre 2017 e 2018, sofreram uma redução de cerca de 6 milhões de toneladas, isto é, aproximadamente 10 % das emissões nacionais. No último ano, e em virtude de uma maior integração de energias renováveis no consumo eléctrico, foi possível garantir uma poupança em importações de combustíveis fósseis de 1268 milhões de euros.

 

No entanto, é possível fazer mais. Para Francisco Ferreira, presidente da ZERO, “Portugal tem de investir muito mais na eficiência energética e nas energias renováveis para ser neutro em carbono em 2050 e esse investimento tem de ser fortemente acelerado. O aproveitamento da energia solar é crucial e é preciso informar, simplificar e ultrapassar os obstáculos que impedem termos muito mais edifícios com telhados preenchidos com painéis fotovoltaicos ou no caso de grandes centrais solares dando preferência a áreas sem outra utilização significativa”.

 

Para o futuro, é necessário continuar a trabalhar arduamente para que os objectivos definidos no sentido da descarbonização do país sejam atingidos. Segundo a APREN e a ZERO, é preponderante a execução de um quadro regulatório explícito, de modo a definir um plano estratégico para as políticas de energia e clima, e que sejam suportadas por medidas que englobem as necessidades de investimento para actividades com baixo teor de carbono, baseadas na modificação de soluções energicamente ineficientes, por outras mais sustentáveis.

 

Recorde-se que, no final do último ano, foi apresentado em Bruxelas, na Bélgica, o Plano Nacional de Energia e Clima para 2030, uma carta com objectivos bem definidos para 2030, e que vão na linha dos pressupostos defendidos pela APREN e pela ZERO.

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