2018-08-01
Senergy Force propõe uma “revolução na climatização”
David Alvito

Para fazer face às exigências energéticas e ambientais do futuro, a T&T lança uma solução que pretende revolucionar a climatização em Portugal: um sistema de fachadas energéticas.

 

Hoje em dia, a utilização de sistemas de aquecimento/arrefecimento nos edifícios novos, através de soluções sustentáveis, é algo perfeitamente comum. A legislação aplicável, através do Regulamento de Desempenho Energético dos Edifícios de Habitação, determina apertados parâmetros para a eficiência energética das habitações, que são atestados por intermédio dos Certificados Energéticos, obrigatórios em qualquer transacção imobiliária. No entanto, apesar dos avanços tecnológicos, ainda subsistem alguns problemas relacionados com a esmagadora maioria das soluções de colectores solares: o rendimento obtido nem sempre é o ambicionado e, no Verão, são frequentes os problemas com o sobreaquecimento dos sistemas. Foi com estas variáveis em cima da mesa que a T&T pensou e desenvolveu um sistema capaz de captar a energia solar e quer obter rendimentos muito significativos.

O futuro está em todo o edifício

 

O sistema Senergy Force foi desenvolvido pela empresa T&T em parceria e com o apoio do departamento de mecânica da Universidade de Aveiro. A T&T foi fundada em 1992 por Augusto Teixeira, com o propósito de oferecer as melhores soluções nas vertentes de electricidade, energia solar e aquecimento central.

 

Em 2009, surgiu a base do projecto Senergy Force. Partindo da ideia de garantir um sistema revolucionário em termos de eficiência energética, a empresa pretendeu resolver dois problemas primordiais: o aumento do custo dos recursos energéticos e os efeitos que esses mesmos recursos representam nas alterações climáticas.

 

A primeira ideia apresentada, um colector solar que captava energia térmica durante o dia, para dissipar durante a noite, acabou por ser descartada já que era demasiado pesado e o seu rendimento bastante baixo para os objectivos propostos. Mais tarde, o sistema evoluiu para uma solução mais leve, com alumínio ou cobre, de forma a conseguir também optimizar a energia absorvida. Foi a partir desta ideia, em parceria com um projecto de investigação da Universidade de Aveiro, que acabou por surgir o Senergy Force.

 

Esta solução, considerada por este consórcio como o “sistema de captação de energia solar mais avançado do mundo da climatização”, conjuga, num só sistema, todos os aparelhos e soluções de utilização de energia solar em edifícios: climatização (aquecimento e arrefecimento), ventilação e águas quentes sanitárias (AQS).

 

A solução, patenteada pela T&T, e que já está a suscitar a curiosidade noutros países, reduz, segundo esta empresa, a necessidade de recurso a energias provenientes de fontes não renováveis, ao aumentar a área de captação solar e ao gerir, de forma eficiente, a temperatura no interior dos imóveis. Ou seja, de acordo com a T&T, o Senergy Force permite substituir toda a envolvente exterior (paredes, fachadas, telhados), aumentando a área de captação e absorção de energia solar. Assim, o sistema, que pode ser uma parte estrutural do edifício, alcança uma maior e uma melhor eficiência na gestão energética do edifício, garantindo um rendimento de 90 %, e ganhos de, aproximadamente, 20 % relativamente aos sistemas convencionais.

 

A solução, totalmente estanque, pode ser dimensionada para aquelas que são as verdadeiras necessidades do imóvel onde se pretende que seja instalado, evitando qualquer sobredimensionamento e reduzindo a dependência de energias provenientes de fontes não renováveis, garantindo assim um melhor conforto e sustentabilidade nos edifícios.

 

Um dos objectivos definidos para melhorar a eficiência residiu na resolução de um dos principais problemas que estão subjacentes à tecnologia dos colectores solares: o excesso de calor no verão, que leva a um sobreaquecimento. Para a T&T, a solução Senergy Force apresenta a resolução para esta problemática: passagem de ar pelo interior, através do efeito chaminé, permitindo assim fazer o correcto dimensionamento do sistema.

 

Outra das grandes vantagens deste sistema, que aproveita a inércia térmica do edifício, isto é, a capacidade que o edifício tem de combater as variações de temperatura no seu interior, reside na valência de garantir a boa qualidade do ar interior: a renovação do ar é feita no período do dia em que a temperatura exterior for mais vantajosa, permitindo ainda utilizar o ar quente para saunas, secadores de roupa e mãos, entre outros. A multifuncionalidade do Senergy Force permite-lhe também integrar o sistema fotovoltaico para produção de energia eléctrica. Assim, é fornecida uma resposta verdadeiramente eficaz e rentável para as reais necessidades de climatização de cada imóvel, com sistemas de aquecimento/arrefecimento passivos, compatíveis com a esmagadora maioria das soluções de AVAC disponíveis. Toda a solução Senergy Force contempla, ainda, um sistema de monitorização, através de uma aplicação disponível para smartphone ou tablet que proporciona um acompanhamento e controlo, no momento, do que está a acontecer em termos de consumos.


Para além de garantir uma poupança significativa em termos energéticos e, consequentemente, em termos financeiros (cada painel deverá custar cerca de 250 euros/m2, o que poderá garantir o retorno do investimento entre os cinco e os seis anos), o sistema Senergy Force apresenta-se para a T&T como um sistema verdadeiramente sustentável. Segundo os seus responsáveis, a solução desenvolvida pretende contribuir para uma redução energética de 1300 GW (Gigawatt), e de 700 000 toneladas de CO2, a nível europeu, o que permite cumprir os compromissos assinados no Protocolo de Quioto, em 1997.

“Este produto vai ser um sucesso tremendo”


A solução Senergy Force já está devidamente estudada e testada, tendo mesmo sido aplicada na sede da T&T, e onde se encontra o Centro Português de Sustentabilidade (CPS) em Vouzela. O edifício tem uma autonomia energética na ordem dos 95 % e trabalha em intervalos de temperatura entre os 20ºC e os 26ºC. No mercado, a primeira instalação da tecnologia já se encontra vendida e será instalada numa moradia unifamiliar que irá ser construída no Belas Clube de Campo e cujo funcionamento deverá acontecer ainda durante em 2018.

 

Paralelamente, a solução começa já a ser bastante procurada por projectistas e arquitectos, preocupados com a questão da sustentabilidade na construção. “Estamos num momento que é completamente de viragem. Temos participado em eventos, feiras e palestras e existe uma questão muito interessante. Creio que nunca existiram tantos projectistas, técnicos, arquitectos, mesmo os próprios construtores, a quererem fazer diferente, a quererem fazer sustentável, equilibrado e ecológico. Nunca houve uma procura tão grande. É lógico que isto é a força que, penso, já abrange cerca de 90 % dos players do mercado”, refere Augusto Teixeira, mentor da tecnologia Senergy Force. Muitas das vezes, a implementação de soluções inovadoras esbarra nas dificuldades de licenciamento para aplicação nos imóveis. Em declarações à Edifícios e Energia, Augusto Teixeira garante que a informação que lhe tem chegado, por parte dos arquitectos, é de que “tudo o que seja fora do centro das cidades, dos centros históricos das cidades, não tem havido qualquer tipo de problema”. O único entrave, explica o empresário, reside na aplicação “nas zonas históricas, que são zonas protegidas. Temos de tentar, de alguma forma, encontrar aqui a melhor maneira de implementar as soluções eficientes, do ponto de vista energético, e conciliá-las com a conservação do património, com valor histórico, e que deve ser respeitado”.

 

Nos últimos tempos, a procura por esta solução tem crescido. Porém, subsistem alguns obstáculos que Augusto Teixeira espera ultrapassar nos tempos mais próximos. “A barreira do valor, que, por vezes, é um pouco mais alto no momento da aquisição, tem sido uma condicionante”, reconhece.“O que nos está a limitar actualmente é o facto de não termos a fábrica montada. E a solução ainda não está disponível em catálogo. Encontramo-nos a produzir os módulos ainda de uma forma um pouco artesanal”, explica o responsável, que procura investidores, através de uma campanha de crowdfunding, para poder dar início à construção de uma unidade de produção em massa, ainda em 2018, de modo a ser possível fornecer a solução ao maior número de pessoas possível. O objectivo é que, em cinco anos, esta tecnologia seja disponibilizada nos mais variados mercados, com uma produção de cerca de 45 mil unidades por ano, gerando assim, cerca de três milhões de euros de rendimento anual. Augusto Teixeira não tem dúvidas: “depois de estar lançado no mercado, este produto vai ser um sucesso tremendo, com muita facilidade de implementação nos edifícios, de uma forma geral”. 

O futuro é já ali ao virar da esquina. Em breve, todas as casas usarão a sua envolvente para produzirem energia de forma totalmente limpa e sustentável. “A nossa perspectiva é que, num futuro muito próximo, todas as casas venham a ter fachadas energéticas em vez de telhados ou paredes. Garantidamente”, remata Augusto Teixeira. 

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